Erro em mutirão de catarata deixa pacientes cegos em Ribeirão Preto, aponta Santa Casa

A salgadeira Maria de Fátima Garcia Chiari ficou cega do olho direito após passar por cirurgia de catarata no AME de Taquaritinga, SP — Foto: Valdinei Malaguti/EPTV

Ribeirão Preto, SP – Um grave erro médico durante um mutirão de cirurgias de catarata deixou pelo menos dois pacientes cegos na cidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. De acordo com informações divulgadas pelo Grupo Santa Casa, a equipe responsável pelas operações teria invertido o uso de produtos químicos essenciais ao procedimento, comprometendo irreversivelmente a visão dos pacientes.

O caso veio à tona após familiares das vítimas relatarem as complicações pós-cirúrgicas e questionarem os médicos sobre o ocorrido. Após uma investigação interna, a direção do hospital confirmou que houve uma falha no manuseio de substâncias utilizadas durante as cirurgias. Em vez de aplicar o produto adequado para irrigação ocular, uma solução estéril específica, a equipe médica utilizou erroneamente outro composto, altamente prejudicial aos tecidos oculares.

“Essa inversão resultou em danos severos e irreparáveis à visão dos pacientes”, afirmou um representante da Santa Casa em comunicado oficial. “Lamentamos profundamente o ocorrido e estamos tomando todas as medidas necessárias para apurar os responsáveis e evitar que algo semelhante aconteça novamente”, complementou.

Dona Josefá e seu Mauri foram pacientes que perderam a visão após mutirão de catarata no AME de Taquaritinga — Foto: Reprodução/Acervo Pessoal
Dona Josefá e seu Mauri foram pacientes que perderam a visão após mutirão de catarata no AME de Taquaritinga — Foto: Reprodução/Acervo Pessoal

As cirurgias de catarata são consideradas rotineiras e seguras quando realizadas corretamente. O procedimento consiste na remoção do cristalino opaco do olho e sua substituição por uma lente artificial. No entanto, o uso inadequado de substâncias pode causar lesões graves, como a perda total da visão, conforme ocorreu neste caso.

Os pacientes afetados participavam de um mutirão organizado pelo hospital para reduzir a fila de espera por cirurgias oftalmológicas na região. A iniciativa, que tinha como objetivo beneficiar centenas de pessoas, acabou marcada por este episódio trágico. Familiares das vítimas relataram indignação e pedem justiça. “Minha mãe estava tão esperançosa para recuperar a visão. Agora, ela está completamente cega e não temos mais o que fazer”, desabafou um parente de uma das pacientes.

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) já foi notificado sobre o caso e deve abrir uma sindicância para investigar as circunstâncias do erro. Além disso, o Ministério Público poderá analisar se houve negligência ou descumprimento de protocolos por parte da equipe médica envolvida.

O Grupo Santa Casa informou que está prestando assistência jurídica e psicológica às famílias das vítimas e reforçou seu compromisso em melhorar os processos internos para garantir maior segurança nos procedimentos médicos. Entretanto, para os pacientes que perderam a visão, nenhuma medida será capaz de reparar o dano causado.

Este incidente levanta questões importantes sobre a segurança em mutirões de saúde e a necessidade de rigor absoluto no cumprimento de protocolos médicos. Enquanto as investigações avançam, a comunidade local aguarda respostas e medidas concretas para evitar novas tragédias.

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